Rio de Janeiro

Voltar

Ponto de Vista – 28. A resposta das urnas – ARTIGO: NOVEMBRO/2018

01/11/2018 - 17:28


Concluímos mais um processo eleitoral, e estas eleições de 2018 se caracterizaram como uma das eleições mais imprevisíveis que já participei. Foi uma eleição marcada pelo repúdio a política, com forte rejeição a velha aristocracia política, onde a sociedade brasileira deixou claro o seu desapontamento com a degradação da estrutura política em nosso país.

O sistema político foi sendo destruído ao longo dos anos pós redemocratização e chega nesta eleição com evidencias claras de estar destroçado, razão pela qual se compreende o fato de afastar inúmeras lideranças da atividade política partidária e, por conseguinte, da busca de um mandato.

Chegamos a esse ponto em razão da falta de interesse de grupos dominantes da política brasileira em permitir o surgimento de novas lideranças que possibilitem uma renovação na representação política. Agindo desta forma tenta impedir a aproximação de novas expressões políticas junto ao conjunto da sociedade, o que se comprova na relutância em realizar uma profunda reforma na estrutura do sistema político e eleitoral.

Diante disso, o Brasil esta vivendo um momento dos mais preocupantes da sua história. As eleições de 2018 se tornaram um enfrentamento sem precedentes, culminando com uma disputa dos extremos ideológicos, sendo vencedor a corrente que incorporou a onda conservadora e anti-petista.

Esta eleição apresentou vários resultados que para muitos eram inesperados. Um desses resultados foi o fato de que o eleitorado nacional governado pelos três maiores partidos (MDB, PT e PSDB), em comparação as eleições passadas, em especial a de 2014, perderam considerável parcela de eleitores. O MDB foi o partido que mais encolheu no comparativo com 2014. Perdeu cerca de 19 milhões, ou seja, 66% do patamar que alcançou nas eleições estaduais de 2014, ao passar de 7 para 3 governadores, sendo um do Distrito Federal. Em seguida vem o PT que perdeu 13 milhões de eleitores ao passar de 5 para 4 estados governados pela legenda. O PSDB, mesmo mantendo o controle no estado de São Paulo, maior colégio eleitoral do país, perdeu cerca de 8 milhões do eleitorado governado.

Outro resultado evidente foi o fato dos partidos tradicionais, que acostumados a dividirem a grande parcela do eleitorado e com isso obterem maior representação política, sofreram uma grande perda eleitoral em razão do fato da pulverização dos votos entre os partidos em disputa.

Fazendo um comparativo entre a eleição de 2014 e 2018, os maiores partidos tiveram perdas significativas em suas bancadas no senado, na câmara federal e nas assembléias legislativas.

SENADO:

2014 – 1º MDB 18  –  2º PSDB 12  –  3º PT 9

2018 –  1º MDB 11  –  2º PSDB   8  –  6º PT 6

Observamos que os três maiores partidos no senado (MDB, PSDB e PT) que atualmente tem juntos quase a metade do senado, na próxima legislatura passa a representar menos de um terço das cadeiras do senado.

CÂMARA FEDERAL:

2014 –  1º PT 69  –  2º MDB 65  –  3º PSDB 54

2018 –  1º PT 56  –  4º MDB 34  –  9º PSDB 29

Observamos que a bancada do MDB e PSDB tiveram uma grande baixa na câmara.

ASSEMPLÉIAS ESTADUAIS:

2014 –  1º MDB  142  –  2º PT 110  –  3º PSDB 97

2018 –  1º MDB    93  –  2º PT   85  –  4º PSDB 73

Esse quadro configura que ocorreu uma pulverização na representação legislativa no senado, na câmara federal e nas assembléias legislativas, onde os partidos tradicionais e maiores perderam poder e força.

Outro dado significativo ocorrido na câmara federal nas eleições de 1998 à 2018 envolve a relação do percentual da representação feminina e a taxa de renovação.

MULHERES NA CÂMARA:

1998 – 28 – 5,5%

2002 –  42 –  8,2%

2006 –  45 –  8,8%

2010 –  45 –  8,8%

2014 –  51 –  9,9%

2018 –  77 – 15%

RENOVAÇÃO NA CÂMARA:

     (deputados novatos)

1998 –  183 – 35,7%

2002 –  184 –  35,9%

2006 –  193 –  37,6%

2010 –  189 –  36,8%

2014 –  198 –  38,6%

2018 –  243 –  47,3%

A pulverização das forças políticas também se deu na representação dos governos estaduais e seu eleitorado por partido.

MDB – Elegeu três governadores (PA, AL e DF), totalizando 6,9% do eleitorado nacional.

PT – Elegeu quatro governadores (BA, CE, PI e RN), totalizando 14,5% do eleitorado nacional.

PSDB – Elegeu três governadores (MS, SP e RS), totalizando 29,4% do eleitorado nacional.

PP – Elegeu um governador (AC), totalizando 0,4% do eleitorado nacional.

DEM – Elegeu dois governadores (MT e GO), totalizando 4,6% do eleitorado nacional.

PSB – Elegeu três governadores (ES, PB, e PE), totalizando 8,31% do eleitorado nacional.

PDT – Elegeu um governador (AP), totalizando 0,3% do eleitorado nacional.

PSL – Elegeu três governadores (RO, RR, e SC), totalizando 4,4% do eleitorado nacional.

PSC – Elegeu dois governadores (RJ e AM), totalizando 10% do eleitorado nacional.

PHS – Elegeu um governador (TO), totalizando 0,71% do eleitorado nacional.

NOVO – Elegeu um governador (MG), totalizando 10,6% do eleitorado nacional.

PC do B – Elegeu um governador (MA), totalizando 3% do eleitorado nacional.

PSD – Elegeu dois governadores (SE e PR), totalizando 6,5% do eleitorado nacional.

Nesta nova configuração a posição dos partidos por número de eleitores em relação aos estados governados, fica:

1º – PSDB  –  29,4%

2º – PT       –  14,5%

3º – NOVO – 10,6%

4º – PSC     – 10.0%

5º – PSB     –   8,3%

6º – MDB   –   6,9%

7º – PSD     –   6,5%

8º – DEM   –   4,6%

9º – PSL     –   4,4%

10° PC do B  3,0%

11° PHS     –   0,7%

12º PP        –   0,4%

13º PDT     –   0,3%

Por fim, é importante destacar que os votos nulos, brancos e abstenções, os chamados “Não Votos”, alcançou o significativo patamar de 42,5 milhões de eleitores, sendo que o voto nulo teve alta de 3%, em comparação a 2014.

Abstenções – 21,25 %

Nulos          –    7,44%

Brancos      –    2,15%

Totalizando   30,84% ( Média nacional de “Não votos”)

EVOLUÇÃO DOS VOTOS NULOS, BRANCOS E ABSTENÇÕES

                  (Período eleitoral entre 2002 e 2018)

Nulos                                 Brancos                   Abstenções

2002 – 4,12%                      1,88%                         20,47%

2006 – 4,71%                      1,33%                         18,99%

2010 – 4,40%                       2,30%                        21,50%

2014 –  4,63%                      1,71%                         21,10%

2018 –  7,44%                      2,15%                         21,25%

O que se conclui diante do resultado das eleições de 2018 é que a resposta foi dada nas urnas, aqueles que no meio político e partidário não entenderam o clamor da sociedade, ou se entenderam relutaram em aceitar os novos tempos da política arcaram com as conseqüenciais.

                                                      

Amaury Cardoso

Presidente Estadual da FUG/RJ

Blog: www.amaurycardoso.blogspot.com.br

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.
Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.



Deixe um comentário

O seu e-mail nunca vai ser publicado. Campos obrigatórios *

*
*