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A EDUCAÇÃO EM MOMENTO DO CORONAVÍRUS

16/03/2020 - 15:40

Tenho recebido muitas perguntas de estudantes, pais, gestores e de proprietários de unidades de ensino, das formas de como mitigar os impactos na formação em função da grave crise que se avizinha derivada da Pandemia do Coronavírus e que pode envolver um longo período de suspensão de atividades escolares e até de quarentena preventivas.

O fato é que sem entrar no mérito da validade ou não da suspensão das aulas, que não foi feita, em caráter seletivo ou localizada e de forma gradual como em outros países que tiveram sucesso, como Singapura, o que ao meu ver não foi correto, já que não havia, pelo menos até então, razões para suspensão generalizada de aulas em especial em muitas localidades no interior e escolas rurais onde sequer existe sinais de casos suspeitos ou de transmissão comunitária. Além disso em muitas escolas públicas estarmos remetendo alunos para seus locais de moradia muito mais insalubres e sem a devida alimentação que vem da merenda escolar. Porem esse assunto já encontra superado, e só merecerá uma reflexão no futuro como eventual medida precipitada.

Neste contexto de larga paralisação prevista que pode ultrapassar 3 meses, temos que criar mecanismos que venham a mitigar esses impactos aos alunos como uma estratégia local, ou como um próprio diferencial da unidade de ensino, do professor ou do próprio aluno.

A primeira ação emergencial e que se espera que aconteça de forma espontânea e até como contribuição empresarial para enfrentar essa crise e que todas operadoras de celular e internet de forma rápida e sem custo para os clientes e que possam aumentar a velocidade e o limite do pacote de uso de todos para todos os seus usuários em especial os que estudam. É algo praticamente sem custo marginal para as operadoras e será uma contribuição fundamental para implementar uma maior adesão de ensino a distância e o contato remoto entre instituições de ensino, professores e alunos. As TV´S a cabo, deveriam também promover programações educacionais em canais sem custo, com documentários históricos que contribuam as formações dos jovens. Da mesma forma a oferta de conteúdo educacional deve ser promovida urgentemente pelo MEC.

Da mesma forma cada instituição de ensino, de maneira coordenada com seus professores devem, sempre que possível, em especial para as instituições de ensino superior adaptar a carga horária do ensino de algumas disciplinas para o Ensino a Distância (EAD), o que já é permitido tanto para o Ensino Superior como para Educação Básica, sob limitações e percentual definidos por cada Conselho Estadual de Educação. Para viabilizar a melhor operacionalização é importante ter horários de interação programados entre a instituição/professor e o aluno. Tal postura proativa irá diferenciará as melhores instituição e vejo que algumas até já iniciaram esse processo como me relatou o Presidente da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Carlos Ivan Simonsen Leal, que está promovendo aulas a distância para seus alunos.

Da mesma forma alunos que buscam se diferenciar em especial os de ensino superior, devem buscar cursos extracurricular. E esses muitos no mercado nacional e até de universidades do exterior tanto a baixo custo e até gratuitos. Instituições como por exemplo: Harvard, FGV, Estácio, SUAM, Governo Federal, Senado Federal, Receita Federal e até Instituições Partidárias como a Fundação Ulysses Guimarães (FUG), tem ótimos cursos gratuitos. Da mesma forma instituições públicas e privadas devem promover tais atividades e principalmente disponibilizar aos seus alunos essas práticas, e que possam ser incorporadas como as tradicionais “horas de atividades complementares” requeridas nas graduações.

A postura proativa de professores recomendando, via remota, material de leitura, promovendo grupos de discussão de temas referentes ao conteúdo das disciplinas e até execução de trabalhos com alguma forma de motivação para seus alunos é também uma postura que diferenciá-la instituição e o professor, que estejam preocupados nesse momento.
É muito importante destacar, que o período de exclusão das atividades presenciais não é um período de férias e nem uma antecipação de férias ou recesso, diante de possível interrupção que acontecerá longo prazo e portanto as instituições de ensino mas especialmente os próprios pais e alunos devem se planejar imediatamente para executar em casa uma carga de estudos pelo menos equivalente ao que teria que cursar de forma presencial. A disciplina do aluno e dos pais que supervisionam nesse caso, deve ser bastante rigorosa. As Instituições de Ensino Públicas e Privadas não podem se alienar e como “avestruz” observar passar esse momento sem apresentar soluções.

Da mesma forma é fundamental que desde já o Ministério da Educação (MEC) venha planejar o conteúdo a ser programado no banco de questões para o próximo ENEM, já que como é um exame em caráter nacional certamente os estados que anteciparam essa paralisação terão um elevado “gap” de conteúdo programático no ano letivo em curso e muitas Escolas de Ensino Médio, em especial às da Rede Pública, certamente não cumprirão o mínimo obrigatório de 200 dias letivos até porque em função do carnaval já iniciaram o ano letivo de forma tardia.

Vamos aguardar e ver como as instituições, escolas, professores, alunos irão se comportar transformando essa “crise em oportunidade”. Porém, o que tem se visto até o momento, é muito pouca mobilidade e Pró Atividade, para enfrentarem esse momento que pode perdurar por muito tempo.

Engº Wagner Victer

Ex-Secretário Estadual de Educação do Estado do Rio de Janeiro

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