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Brasil avança com os Brics

26/07/2018 - 09:35

foto temer

OPINIÃO

A quarta Revolução Industrial e a África são temas da décima Cúpula dos Brics, que acontece em Johanesburgo, na África do Sul. Os países-membros (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) têm em comum o fato de serem de renda média, dotados de grandes territórios e de grandes populações. Temos, portanto, desafios compartilhados. Juntos, ficamos mais bem posicionados na evolução da economia mundial.

Esta cúpula em particular tem significados especiais para o nosso país. Vamos definir a efetivação, em São Paulo, do escritório regional do banco dos Brics para as Américas. O Brasil já foi contemplado com empréstimos no valor de US$ 621 milhões do Novo Banco de Desenvolvimento, o banco dos Brics.

Recursos destinados ao escoamento da produção agrícola, a projetos de energia eólica, à redução de emissões de gás de efeito estufa e à infraestrutura urbana. Este escritório regional ampliará os aportes da instituição para projetos em nosso país.

Os Brics têm ajudado a criar ambiente de negócios mais favorável à expansão do comércio e dos investimentos. Para isso contribuem as reuniões regulares do Conselho Empresarial dos Brics, liderado pelo setor privado, e do Grupo de Contato para Temas Econômicos e Comerciais, integrado por representantes de governo.

Vamos dedicar agenda especial para a África no chamado diálogo expandido dos Brics, com líderes de outros países do continente. A nossa diplomacia está a serviço da modernização e do crescimento de nossa economia, para a geração de empregos e renda. É com esse entendimento que pautamos as relações com o continente africano.

Em Johanesburgo, a meta é fortalecer nossa cooperação em ciência, tecnologia e inovação, em nome de inserção mais competitiva na economia global. É o desenvolvimento tecnológico que permite avançar em pesquisas para áreas como a saúde.

Os Brics têm trabalhado para promover a pesquisa e o desenvolvimento de produtos médicos inovadores e proporcionar acesso a medicamentos de qualidade, a preços justos. A Rede de Pesquisa em Tuberculose, inaugurada em 2017, é exemplo de sucesso nessa matéria.

Os Brics têm, ainda, promovido o conhecimento mútuo e facilitado o diálogo entre as sociedades dos cinco países que o integram. O Festival de Cinema dos Brics, a Rede de Universidades, o Fórum Acadêmico, o Festival Cultural, parcerias de museus, galerias de arte e bibliotecas: são múltiplas as iniciativas que visam à promoção de uma integração maior dos cidadãos de nossos países.

Esse é o sentido maior de tudo o que fazemos no plano externo: do resgate da vocação original do Mercosul para a democracia e o livre mercado à aproximação desse nosso bloco regional com a Aliança do Pacífico —objetivo que nos mobilizou ainda no início desta semana, em cúpula inédita de que participei, no México, para impulsionar as convergências entre os dois mais expressivos exercícios de integração na América Latina.

No Brasil, levamos adiante ambiciosa agenda de reformas. Restituímos credibilidade às contas públicas. Domamos a inflação e criamos as condições para a queda das taxas de juros, hoje em seu mais baixo patamar histórico. Voltamos a crescer e a criar postos de trabalho.

Na cúpula de Johanesburgo, mais do que colher os frutos dos dez anos de cooperação dos Brics, estamos construindo as bases para um futuro sempre mais ajustado aos legítimos anseios dos brasileiros.
A política externa vem sendo, e continuará a ser, mais uma política pública devotada a esses propósitos fundamentais.

É o que nos inspira nesta cúpula, que se realiza sob o signo do centenário de Nelson Mandela —referência de estadista que, com coragem e disposição para dialogar com todos, esteve à frente da reconstrução de um país dilacerado por décadas de segregação racial.

Michel Temer
Presidente da República; ex-vice-presidente (2011-2016, governo Dilma) e ex-presidente da Câmara dos Deputados (1997-2001 e 2009-2010)

Matéria publicada https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2018/07/brasil-avanca-com-os-brics.shtml em 26/07/2018

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