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Armar o cidadão não é caminho para a segurança pública, diz Moreira Franco

08/03/2018 - 07:50

Para ministro e conselheiro do presidente Temer, criação do Ministério da Segurança ‘vai ajudar’. Ele se diz contrário à facilitação do porte de armas e afirma que solução é polícia ‘eficaz’ e ‘bem treinada’.

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Wellington Moreira Franco, avaliou em entrevista ao G1 que armar o cidadão não é o caminho para enfrentar a crise da segurança pública no país.

Ex-governador do Rio de Janeiro, Moreira Franco foi um dos articuladores no governo federal do decreto de intervenção na segurança pública do estado.

Nas últimas semanas, o Congresso Nacional decidiu votar projetos relacionados à segurança pública, e a chamada “bancada da bala” tenta, nos bastidores, incluir na pauta de votações a análise de projetos que alteram o Estatuto do Desarmamento e flexibilizam o acesso a armas.

“Não acho que armar o cidadão seja o caminho para resolver o problema da segurança pública”.

Um dos principais conselheiros políticos do presidente Michel Temer, Moreira Franco diz que não conhece na íntegra as propostas em discussão no Congresso para rever limitações ao porte e circulação de armas.

Mas, para o ministro, a saída para a crise da segurança passa por investimentos nas polícias civis e militares e pela ampliação de ações conjuntas entre União, estados e municípios.

Neste cenário, a recente criação do Ministério da Segurança Pública deverá ajudar, acredita Moreira Franco.

“A segurança pública se resolve com uma polícia eficaz, uma polícia que seja bem treinada, que seja respeitada, que tenha a confiança da população e que tenha a capacidade de inibir a arrogância e a prepotência do crime organizado”, diz.

Guarda nacional

Nas ações que podem ser adotadas pela União, Moreira defendeu a criação de uma guarda nacional. Na prática, segundo o ministro, uma das possibilidades seria ampliar o efetivo da Força Nacional de Segurança.

“A experiência no mundo mostra que a existência de uma guarda nacional bem estruturada, com carreiras, formação, treinamento, com disponibilidade para atender demandas dos governadores, quando necessário a presença do governo federal para garantir a segurança pública, tem sido eficaz”, explicou.

A Força Nacional não tem efetivo permanente e atua conforme os governos estaduais pedem ajuda à União.

O grupo é composto por policiais militares, policiais civis, bombeiros, peritos e papiloscopistas (da ativa ou aposentados) cedidos pelos estados. Desde 2017, também participam das operações reservistas das Forças Armadas.

Recentemente, o governo enviou ao Congresso Nacional o projeto que cria o Sistema Único de Segurança Pública (Susp), que deverá integrar as ações da Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, polícias civis, polícias militares e corpos de bombeiros.

Intervenção no Rio

Ao G1, Moreira Franco disse que ainda é “cedo” para fazer uma avaliação sobre o trabalho do interventor no Rio, general Walter Souza Braga Netto.

“Acho que nós temos pouco tempo para fazer uma avaliação mais detalhada, mais minuciosa”, declarou.

O decreto de intervenção foi assinado pelo presidente Michel Temer em 16 de fevereiro e deve durar até 31 de dezembro.

Enquanto o decreto vigorar, o interventor Braga Netto responderá pela estrutura de segurança pública do Rio de Janeiro, que saiu da alçada do governador Luiz Fernando Pezão (MDB).

“É inaceitável que as pessoas não possam sair de suas casas à noite e estamos enfrentando esse problema”, avaliou Moreira Franco.

Matéria originalmente publicada no G1, no dia 08 de março de 2018.

Link da matéria: https://goo.gl/fcv2D3

 

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